Release:
BIG GILSON & BRUCE EWAN
LIVE AT THE BLUE NOTE
Fevereiro de 2000 em Nova York. Zero grau lá fora, na esquina da 3rd Street com a 6th Avenue. Aqui dentro, um Blue Note quentinho, com um clima de nervosismo no ar aquecido da casa cheia de pessoas incrédulas a fim de assistir aquele cara do Brasil que diz que toca blues e sua banda de Americanos.
Nervosismo desse Brasileiro que ousa tocar blues na terra de seus ídolos, no placo sagrado do Jazz, que raras vezes abre suas portas ao blues, exceções feitas a poucos como BB King, Ray Charles, e Dr. John. Nervosismo por tocar com uma banda que acabara de conhecer dois dias atrás, com a qual realizou um único ensaio, a The Solid Senders.
The Solid Senders, é a banda liderada pelo gaitista Bruce Ewan. Bruce tem usado suas férias para se tornar uma estrela da cena do Blues em vários países da Europa e América do Sul. Numa dessas viagens conheci Bruce, tocamos juntos na Argentina, e me tornei seu amigo. Ele bebeu na fonte dos grandes mestres Big e Little Walter, compreendendo a fundo as sutilezas de suas tonalidades, fraseados e dinâmicas na gaita diatônica. Além disso, Bruce domina a gaita cromática como poucos. Nela, ele suinga com uma fluência que lembra a leitura jazzística de Toots Thielmans, mas sem perder a veia bluseira, influenciado pela técnica de George Smith. Bruce Ewan não é só um técnico em seu instrumento, ele toca com o coração e a alma, e é também reconhecido como um bom cantor no estilo “Down Home”.
Bob Berberich, foi o primeiro baterista do “Grin” (Nils Lofgrin - guitarrista de Bruce Springsteen), quando excursionaram junto com a “Jimmi Hendrix Experience”, tocou na “Rosslyn Mountain Boys”, com Roy Buchanan, e tem atuado regularmente em Washington há décadas.
Steve Shaw, baixista que além de ter tocado em várias bandas com Bobby Radcliff e Roy Buchanan, detona seu trombone na banda de reis do Swing, a “The J Street Jumpers”.
Marty Baumann, tocava guitarra base para Danny Gatton e tinha uma banda da pesada, a “The Sliders” com seu irmão Steve na Gaita (até o dia em que ele fugiu para ingressar no serviço secreto, fazendo segurança para os presidentes Regan e Bush !!!).
Tivemos ainda uma canja do guitarrista irmão do Bruce, Bobby Radcliff. “...Gostaria de enfatizar a importância de Bobby Radcliff na cena bluseira de Washington DC, nos anos 70. Sem ele os Nighthawks não existiriam, eu provavelmente estaria ensinando literatura inglesa em alguma escola para garotos em New England...” (Mark Wenner – gaitista, vocalista e fundador dos Nighthawks).
Nesse momento de afirmação da minha carreira solo na América, essa super banda me deu o suporte necessário para com muito tesão, extravasar todo o feeling e adrenalina, que só um disco gravado ao vivo pode captar. Tocamos músicas dos meus primeiros dois CDs solo (YELLOW MOJO BLUES e CAB DRIVER BLUES) e outras tantas do repertório do Bruce, O “Red Harmônica King” como o chamam na Argentina. A reação eufórica do público, dos músicos da banda, engenheiros de som (que já trabalharam com Eric Clapton, Allman Brothers, etc...) me fizeram mais uma vez crer que eu estava certo quando resolvi trilhar este caminho pra a minha vida. O árduo e difícil caminho da música blues.
Na realização de mais esse sonho, agradeço a todos que sempre me apoiaram desde o início de minha carreira e aos que me criticaram positivamente, fazendo-me ver os erros cometidos. E também, porque não, aos “baixo astral de plantão”, que me fizeram ser forte, persistente e nunca desistir de meus ideais.
Espero que vocês se divirtam ouvindo este CD, tanto quanto eu, Bruce, a banda e a galera que lotou o Blue Note nos divertimos, tocando e cantando naquela noite fria Nova Iorquina.
Um Blues Abraço,
Big Gilson
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